Biotério atende demandas de experimentos em saúde

 

O Biotério Biotério Luiz Carlos de Lima Silveira, inaugurado há sete meses no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade do Estado do Pará (Uepa), abriga animais em condições adequadas à utilização em experimentos científicos ou produção de vacinas e soros. O espaço, construído em 285 metros quadrados, visa atender às demandas de pesquisadores internos e também colabora com outras instituições.

Independentemente da espécie ou linhagem dos exemplares, o manejo e a manutenção devem atender aos princípios éticos na experimentação animal. “Hoje, o biotério da Uepa segue toda a legislação para o bem-estar dos animais e para o desenvolvimento da pesquisa científica”, ressalta o veterinário Mário Leal, responsável pelo biotério. Atualmente, o biotério mantém cerca de 80 roedores, mas em 2018 esse número deverá chegar a 900, para atender à demanda de novas pesquisas.

Mesmo sendo um prédio novo, que atende às exigências da legislação, algumas adaptações foram necessárias para receber os camundongos. O ambiente conta com alojamentos específicos para cada espécie de animal, com temperatura e luminosidade controladas, e acesso restrito, para facilitar a limpeza e o manuseio dos animais, e garantir que fiquem livres de contaminação. “O biotério da Uepa se encaixa em todos estes pré-requisitos”, informa o veterinário.

O Biotério dá suporte para a realização de experimentos de pesquisadores da Uepa, mas a estrutura também se estende instituições parceiras. Entre os usuários do espaço está a fisioterapeuta Simone Haru é discente do Programa de Pós-Graduação de Química Medicinal e Modelagem Molecular da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ela desenvolve atualmente uma investigação sobre um tipo de antitumorígeno, a partir de um medicamento já utilizado no combate ao câncer.

Ela informa que a motivação para o desenvolvimento da nova droga foi a observação de que os medicamentos em uso nos tratamentos contra o câncer causam muitas reações adversas. “Estamos desenvolvendo um fármaco que possa diminuir esses efeitos”, afirma a pesquisadora.

Entretanto, apesar de estudos como esse aumentarem as esperanças, principalmente daqueles que precisam do tratamento, a espera pode ser longa. Para um medicamento ser liberado para uso por seres humanos deve passar por várias fases. A primeira é a fase não clínica, em que os cientistas testam as substâncias em laboratório e em animais de experimentação, sempre obedecendo à normas de proteção aos animais. O objetivo principal desta fase é verificar como a substância se comporta em um organismo.

“Primeiramente, nós temos a fase in vitro, onde o medicamento é testado em células com câncer, para somente depois ser aplicado aos camundongos. Tudo isso para diminuir os óbitos entre os animais. Após os roedores, os testes serão realizados com animais maiores, até chegar aos testes com seres humanos voluntários”, explicou a pesquisadora. Todo esse processo pode levar aproximadamente 15 anos.

Texto: Márcio Flexa
Fotos: Thiago Gomes /Ag. Pará