Projeto Poronga da Equidade é contemplado em edital nacional

 
Tetéia era a professora mais antiga de Jambuaçu (In memorian)

Poronga da Equidade: saberes tradicionais e diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar quilombola em práticas escolares de Jambuaçu/PA, projeto concebido pelo Grupo de Pesquisa Saberes e Práticas Educativas de Populações Quilombolas (Eduq), da Universidade do Estado do Pará (Uepa), foi o único selecionado da região Norte no Edital Equidade Racialuma iniciativa do Itaú Social, sob realização do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), que tem como parceiros o Instituto Unibanco, a Fundação Tide Setubal e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Liderado pela professora Ana D'Arc Martins de Azevedo, o Eduq submeteu o projeto ao Edital lançado em fevereiro deste ano e já neste segundo semestre foi notificado com a informação de estar entre as quinze pesquisas aplicadas escolhidas dentre 863 inscritas, para atuar junto a escolas e/ou organizações da sociedade civil que irão buscar soluções para a redução das desigualdades étnico-raciais na Educação Básica brasileira. O projeto Poronga da Equidade encontra-se na categoria voltada para o Ensino Fundamental I (anos iniciais) e receberá um aporte financeiro de R$ 150 mil, durante o período de realização da pesquisa, que terá duração de 18 meses.

JAMBUAÇU, UNIVERSO DE NARRATIVAS E SABERES

Nas palavras da professora Ana D'Arc, “o termo poronga remete à luz. E o emprego dessa palavra no título da proposta quer dar essa ideia de que é necessário ter clareza sobre a realidade onde será realizada a investigação sobre a educação escolar quilombola”. Esse lugar, de pesquisa de campo e troca de conhecimentos, é o Território Quilombola de Jambuaçu, situado no município de Moju, no Pará, numa área de aproximadamente 80 Km de extensão linear, que agrega 16 comunidades quilombolas e cinco escolas municipais, cujos projetos e práticas pedagógicas serão analisadas no âmbito da pesquisa, com o objetivo de perceber o quanto estão em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais, que apontam caminhos para a educação quilombola, segundo explica Ana D´Arc.

Em uma das comunidades quilombolas que integram o Território de Jambuaçu, a Remanescente de Quilombo Santa Luzia do Bom Prazer, denominada pelos habitantes simplesmente como Poacê, reside a professora Waldirene dos Santos Castro, mais conhecida como Walda. Com 31 anos de docência, professora Walda é também uma liderança dentro do território de Jambuaçu e uma das integrantes do grupo Eduq-Uepa. Ela conta que foi a vivência das dificuldades encontradas na realidade escolar dentro do território quilombola que a moveram a propor ao Eduq o objeto de pesquisa do projeto. “Poronga partiu de uma proposta de fazer menção aos nossos saberes. O projeto vai fazer uma pesquisa, mas ao mesmo tempo vai realizar ações para remediar nossas ações”, afirma Walda.

O contexto cultural de territórios quilombolas é permeado por narrativas e por saberes tradicionais. “Nessa ambiência, as oficinas, rodas de conversa e demais atividades que serão realizadas junto às escolas existentes no território de Jambuaçu, visam mapear esses saberes”, afirma a coordenadora do projeto. Já para a professora Walda, a maior expectativa em relação ao projeto selecionado no Edital da Equidade, é pelos resultados: “o que mais nos interessa são os resultados, porque deles vamos tirar fundamentos e ter comprovações para poder questionar o poder público, quanto à garantia dos nossos direitos, a garantia de acesso e da qualidade de ensino para o nosso povo”.

PARCERIAS

Além das instituições financiadoras do projeto, a execução do Poronga da Equidade, conta com as parcerias institucionais da própria Uepa, a qual está vinculado o Eduq, da Secretaria de Educação do Município de Moju, tendo em vista as escolas do território serem municipais, e da Malungu – Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará. As professoras Ana D´Arc e Waldirene Castro explicam que a Malungu é a organização que dará apoio às atividades desenvolvidas no âmbito do projeto, pelo fato de ser uma representação na qual as comunidades quilombola depositam confiança. 

Ao lado das duas professoras, também são integrantes do projeto: Flora Cristine da Costa Scantlebury, Laís Rodrigues Campos, Elziene Nunes, Silvandra Cardoso Gonçalves, Thaila Cristina Barbosa Damasceno, Eduardo Silva dos Santos, Gabriela da Conceição Pereira Soares, Aymê Jilvana Castro Fergueira e Carla Regina Santos Paes.

Para conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Quilombola, clique aqui

 

Texto: Guaciara Freitas/ Ascom Uepa
Fotos: Acervo de pesquisa/Ana D'Arc de Azevedo