Projeto Universitário Mirim deseja inspirar futuros calouros da Uepa

 
O estudante Rafael Ferreira e a professora Diana Lemes recriam foto feita em 2015, durante participação no projeto Universitário Mirim.

 

Quando se fala em educação, nem sempre costuma-se pensar nos projetos de extensão aplicados por grupos de pesquisa ou cursos. Numa ação que vai para além da sala de aula, eles promovem a interação entre a instituição e a sociedade. Uma das iniciativas que se destaca neste sentido é o Grupo de Pesquisa Pedagogia em Movimento (Geppem), do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa). O grupo tem como objetivo estudar as multifaces da pedagogia, da atuação do pedagogo e das práticas educativas em espaços complexos do processo de ensino e aprendizagem, bem como, os saberes construídos nas diversas organizações, instituições e entidades. 

Entre os calouros que ingressaram na Uepa neste ano, está o aluno Rafael Ferreira da Silva, de 19 anos, integrante da primeira turma do Repórter Mirim, um dos projetos desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisa. Reencontrar Rafael foi uma grata surpresa para a professora Diana Lemes, líder do Geppem. O sentimento de realização ao ver um ex-pupilo, agora como estudante universitário, foi o combustível que o grupo precisava para retomá-lo com uma nova roupagem, em setembro deste ano.

Desenvolvido em parceria com a Assessoria de Comunicação (Ascom) da Uepa, o projeto levou oficinas de jornalismo a crianças estudantes. A ideia de realizá-lo surgiu em 2015, durante a cobertura realizada pela imprensa da premiação do projeto Pedagogia em Movimento: Educação para o Trânsito em Belém do Pará. Ver a atuação dos profissionais de perto instigou a curiosidade dos alunos do quinto ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Valter Leite Caminha, no bairro do Benguí. “Eles me perguntaram várias coisas sobre o trabalho dos profissionais, aí fui explicar para eles sobre o texto jornalístico, como é a comunicação, construção textual, todos o elementos que caem na Prova Brasil”, relembrou a professora, ao citar a prova desenvolvida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Diana Lemes explica como ocorria a dinâmica do projeto. “Toda segunda-feira a gente tinha o Repórter Mirim, dando informações do trânsito. Ouvíamos as crianças e montávamos os textos, em forma de jornal mural. A presença da Ascom, na pessoa da jornalista Ize Sena, plantou uma sementinha nesses alunos. Eles tiveram a presença de uma profissional da Uepa, ensinando-os. Nós observamos que isso gerou um vínculo deles com a Instituição”, disse. O projeto incluiu visitas das turmas atendidas aos campi da Uepa, onde puderam ter contato com o dia a dia da vida acadêmica e aproveitar diversos espaços em que se faz pesquisa e ciência.

Aos olhos do menino Rafael, então com 10 anos, a experiência de fazer as oficinas e, sobretudo, de conhecer os espaços da Universidade, foi o ponto crucial da infância. “Participar deste projeto, para mim, foi crucial para nunca desistir do sonho de estar em uma universidade. A partir deste momento, do Repórter Mirim, eu acredito mesmo que foi plantada uma semente em mim, pois eu me encantei com a comunicação e não larguei mais. Foi o momento que eu me descobri comunicador”, relatou Rafael. O vínculo criado com a Uepa através do projeto o fez optar pelo curso de Bacharelado em Secretariado Trílingue, que possui afinidade com diversos aspectos da Comunicação.

O reencontro entre professora e aluno aconteceu no restaurante universitário, por acaso. “Nos reconhecemos e eu senti uma alegria imensa de vê-lo aqui. Ele contou o papel que o projeto teve nesse caminho e tudo isso é muito gratificante”, contou Diana. De pronto, Rafael passou a integrar o Geppem e, baseado na sua experiência, topou desenvolver um novo projeto nas escolas de Belém.

“Vir aqui antes visitar e hoje estar frequentando desperta um sentimento maravilhoso. Poder acessar todos os lugares... eu estou vivendo a Uepa de fato, é a minha segunda casa. Eu acho muito importante esse tipo de projeto, que traz as crianças para dentro da universidade, faz elas se verem aqui, vivendo uma graduação, fazendo pesquisa e extensão. Como a professora falou, plantar uma semente. Principalmente entre crianças de bairros e comunidades mais carentes, que não costumam se ver dentro dessa rotina acadêmica. Para que elas possam sonhar em estar aqui”, analisou Rafael. A partir disso, o projeto Universitário Mirim marcará uma retomada com nova roupagem do Repórter Mirim, que levará às crianças atendidas oficinas de profissões diversas – incluindo, é claro, a do jornalista – e também viabilizará visitas aos espaços da Uepa. A ideia é lança-lo no mês de setembro.

“Estamos todos muito empolgados em ver na prática o caso do Rafael e queremos seguir plantando essa semente e inspirando estes alunos a buscar a universidade, a pensar que eles também podem produzir ciência. Isso é acessível e a Uepa está aqui para recebê-los”, concluiu Diana.

Texto e Fotos: Fernanda Martins e Acervo pessoal