De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), num único dia morrem mais de 800 mulheres por complicações relacionadas à gravidez ou parto no mundo. O objetivo do Brasil é a redução para 30 mortes/100 mil até 2030, para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Dados que despertam atenção considerando que dia 28 de maio, alusivo ao Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.
A mortalidade materna (MM) é considerada um problema de saúde pública e os países em desenvolvimento são os mais atingidos com as maiores taxas deste tipo de mortalidade. Entre as principais causas de morte materna estão: hipertensão, infecções pós-parto, hemorragias, doenças infecciosas e cardiovasculares.
Com foco em prevenir mortes maternas evitáveis, a aluna do doutorado profissional do Programa de Pós-graduação em Ensino em Saúde na Amazônia (PPGESA) da Universidade do Estado do Pará, Simone Aguiar da Silva Figueira, defendeu a tese intitulada Ensino em Saúde da Mulher na graduação em Enfermagem: Criação e Validação de Tecnologias Educacionais para Redução da Morte Materna.
Professora de Enfermagem da Uepa, no Campus XII, município de Santarém, Simone afirma que 95% dos óbitos maternos poderiam ser evitados por fatores ligados ao adequado atendimento e à qualidade dos serviços de saúde prestados à mulher durante o ciclo gravídico puerperal.
A pesquisa destacou que a qualidade na formação e preparo dos profissionais são extremamente importantes para atender as necessidades básicas das mulheres e realizar intervenções com qualidade para reduzir a morbimortalidade neste cenário. "Este estudo foi realizado em oito etapas, incluindo a construção de uma revisão integrativa de literatura, análise da percepção dos estudantes de enfermagem da Uepa no diagnóstico situacional do ensino em saúde da mulher, a construção dos Produtos Educacionais, como: construção de um manual de textos, a construção de uma sequência didática para docentes e a realização de um curso de Atenção à Saúde da Mulher com foco na redução da morte materna”.
A pesquisadora afirma que a aplicação das tecnologias educacionais atendeu aos objetivos abordando conteúdos de extrema relevância e impacto na qualidade da assistência prestada às mulheres, “além de contribuir para mudanças significativas no processo de ensino, aprendizado e desenvolvimento profissional dos futuros enfermeiros, para que sejam protagonistas das mudanças necessárias para redução da morte materna", destacou
Trajetória
Egressa da graduação da segunda turma do curso de Enfermagem do de Santarém, Simone cursou especialização, mestrado e agora o doutorado no PPGESA, sob orientação do professor Jofre Jacob da Silva Freitas e coorientação da professora e vice-reitora da Uepa, Ilma Pastana.
Mediante um trajetória de formação e qualificação no mesmo local onde trabalha, a professora afirma: “ao longo do tempo, durante a minha formação de mestrado e doutorado junto a esse programa, a minha vivência enquanto professora mudou, passei a incorporar novas metodologias de ensino, aprendi com os nossos pares, os nossos colegas e, principalmente com os nossos professores, que trouxeram de maneira inovadora uma nova forma de entender como o processo de ensino aprendizagem pode ser visto com foco profissional", agradece.
De acordo com Simone, o doutorado do PPGESA tem esse diferencial, pois os alunos são convidados e instigados a produzir produtos técnicos/tecnológicos para resolver algum problema de uma situação real do cotidiano.
Turma pioneira
A primeira turma de doutorado profissional do Programa de Pós-graduação em Ensino em Saúde na Amazônia (PPGESA) da Uepa, concluiu todas as defesas do programa neste último mês de abril. O PPGESA é vinculado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e o Doutorado do programa iniciou no ano de 2019.
A professora Lizomar Pereira, coordenadora do programa, destaca o fato desta turma ter ingressado em 2019, atravessado uma pandemia e ainda assim terem produzido importantes indicadores para o programa. “É um momento de realização para a história do PPGESA/CCBS. Concluímos a formação de quatro doutores para o interior e cinco para a capital. Destes, sete são professores de Instituição Pública de Ensino (IES), os sete da Uepa. Além de Belém, tivemos alunos de outros municípios como Marabá, Tucuruí e Santarém”
PPGESA
O Programa de Pós-graduação em Ensino em Saúde na Amazônia (PPGESA) iniciou no ano de 2012 com o curso de mestrado. Desde então, anualmente são realizados processos seletivos para o mestrado e o doutorado. Concentrado na área denominada Integração Universidade e Serviços de Saúde, o PPG possui duas linhas de pesquisa: Fundamentos e Metodologias em Ensino na Saúde e Gestão e Planejamento em Ensino na Saúde.
No momento, há cinco turmas de doutorado em andamento. Entre elas, há também a formação de turma exclusiva destinada para os servidores efetivos da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), cujo edital está em andamento.
Com este primeiro doutorado finalizado do PPGESA existe a perspectiva de melhor formação para a graduação em saúde, maior número de produção bibliográfica e técnica e iniciação científica, fortalecimento da qualificação docente, entre outros avanços.
A expectativa de coordenadora do PPG é que "os alunos egressos do doutorado, vão poder contribuir por cinco anos nas disciplinas, projetos e produção científica da Uepa, pois trata-se de uma exigência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que eles contribuam com os PPG, participando dos projetos de pesquisa, ensino, das disciplinas, e produção técnica e científica com os seus ex-orientadores e com os pós-graduandos ativos que estão cursando".
Texto: Diane Maués (Ascom Uepa)
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