Simpósio discute Governança Ambiental Global e Polticas Públicas na Amazônia Legal

Enviado por Uepa em Qui, 14/11/2024 - 15:05

Nos dias 28 e 29 de novembro acontecerá no Centro de Ciências Naturais e Tecnologia - Campus V, o I Simpósio de Governança Ambiental Global e Políticas Públicas na Amazônia Legal, que reunirá pesquisadores, ONGs e gestores para debater o futuro da Amazônia, abordando o papel central da floresta no equilíbrio ambiental global e no enfrentamento das mudanças climáticas. Organizado pelo curso de Bacharelado em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Pará (Uepa), com apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e de pesquisadores de instituições como Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de Brasília (UNB), Universidade Federal da Paraíba (UFP), Instituto Federal do Amapá (Ifap) e Universidade Federal do Tocantins (UFT), a iniciativa tem como objetivo discutir os desafios da governança ambiental e da promoção de políticas públicas sustentáveis para a região amazônica. As inscrições para o simpósio são gratuitas e podem ser realizadas neste link.

A programação para os dois dias de evento é organizada em eixos temáticos: o primeiro dia será dedicado à Governança Ambiental Global e Participação da Sociedade Civil, com foco em soluções locais para desafios climáticos, sociais e ambientais específicos da Amazônia. Já o segundo dia abordará a Governança Ambiental e Estratégias de Desenvolvimento Sustentável, discutindo o uso responsável dos recursos naturais da região. A proposta é conectar questões globais aos desafios enfrentados pelas comunidades amazônicas, trazendo palestras, oficinas, paineis e mesas-redondas para promover a troca de saberes entre pesquisadores, representantes de movimentos sociais e atores locais, como as populações indígenas e ribeirinhas, fundamentais na preservação ambiental.

A coordenadora do simpósio e do projeto Observatório da COP da Amazônia, professora Mayane Bento, destaca o compromisso da Uepa com a divulgação científica e a integração do conhecimento acadêmico com a sociedade. Ela explica que, em um momento em que a Amazônia ganha protagonismo nas discussões climáticas globais, especialmente com a aproximação da COP30, o simpósio busca promover uma discussão crítica sobre o papel da floresta nas políticas globais e explorar alternativas para proteger o bioma amazônico. Segundo a coordenadora, “há também a expectativa de explorar como atores locais e internacionais podem colaborar efetivamente para abordar problemas específicos da região. E, acima de tudo, visamos construir o conhecimento de forma coletiva, dialogando com a sociedade civil organizada, gestores públicos e agentes privados, pois acreditamos que pensar o desenvolvimento sustentável na Amazônia e para a Amazônia requer o respeito à alteridade e à pluralidade de visões”.

Outro ponto central das discussões será o uso sustentável dos recursos naturais da Amazônia e como essas discussões podem influenciar políticas públicas na região. A coordenadora aponta os avanços recentes do Estado do Pará, como o Plano Amazônia Agora e o desenvolvimento do mercado de carbono, que indicam um caminho promissor. Contudo, ela ressalta que ainda é preciso evoluir para políticas mais inclusivas, que garantam justiça social e ambiental e ofereçam maior protagonismo às comunidades locais. "Nosso papel é catalisar o conhecimento científico e a pesquisa aplicada para apoiar políticas públicas que não apenas enfoquem os recursos naturais, mas também fortaleçam os direitos e a autonomia das populações locais, contribuindo para uma Amazônia mais justa e sustentável”, explica.

Para sensibilizar os participantes sobre a importância da Amazônia no equilíbrio ambiental global, o simpósio adota uma abordagem interativa, com debates que incentivam o engajamento direto, promovendo o envolvimento ativo dos participantes nos diálogos ambientais. A professora Mayane menciona também que o evento terá um espaço de recreação infantil, possibilitando que famílias participem e incentivando a conscientização ambiental desde cedo. Outro diferencial é que o simpósio foi planejado para ocorrer em três edições: a primeira em 2024, esta de novembro, com as outras programadas para 2025, antes da COP30, e em 2026, após o evento. “Esse planejamento visa estimular um debate aprofundado tanto no período pré-COP, identificando desafios e expectativas, quanto no período pós-COP, promovendo uma reflexão crítica sobre os impactos reais do evento na região amazônica”, esclarece a professora.

Um dos resultados esperados do simpósio é a elaboração de uma Carta de Recomendação e Posicionamento, que consolidará as reflexões construídas nos debates, especialmente no que diz respeito ao papel da Universidade e da sociedade civil na agenda ambiental amazônica. De acordo com a coordenadora, "espera-se que a carta seja amplamente divulgada por meio de canais oficiais, incluindo o site do simpósio e o Instagram. Esses espaços servirão para compartilhar o conteúdo da carta, facilitando o acesso público e engajando uma audiência mais ampla.” A carta será apresentada a autoridades e órgãos de governo como um instrumento para pressionar por ações concretas em prol da sustentabilidade na região. “Assim, em 2026, além de analisarmos o resultado das negociações da COP30, também analisaremos o impacto das recomendações fruto dos nossos debates”, conclui.

Para mais informações e dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail observatoriocop30@gmail.com e no Instagram @observatoriodacop

 

Texto: Alanny Alves, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Marília Jardim, jornalista (Assessoria de Comunicação - Ascom/Uepa)

Foto: Sidney Oliveira, fotógrafo (Assessoria de Comunicação - Ascom/Uepa)