A cidade de Belém será palco de um dos mais importantes encontros da área de Engenharia de Produção nas Américas. Em 2026, a capital paraense receberá a 13ª edição da International Conference on Production Research – Americas (ICPR-A 2026), conferência promovida pela International Foundation for Production Research (IFPR), que reúne pesquisadores, profissionais da indústria, estudantes e representantes de instituições acadêmicas de diversos países. A programação será realizada de 27 a 30 de julho, no Polo de Gastronomia da Uepa, no Parque da Cidade.
A Universidade do Estado do Pará (Uepa) participa da organização da conferência, que será realizada pela primeira vez na capital paraense. “Para a Uepa, isso é o reconhecimento de um trabalho construído com muita dedicação ao longo dos anos. E para os nossos alunos, é uma chance preciosa: eles vão conviver com referências da área sem precisar sair de casa, e isso planta sementes — de colaborações, de intercâmbios, de sonhos de pós-graduação. Sediar o evento neste momento, com toda a atenção voltada para a sustentabilidade, também mostra que a Amazônia tem muito a dizer, e não só a ser falada”, explica a professora Renata Oliveira, que está à frente da organização, ao lado da professora Nathália Jucá. Para Nathália, a programação será “muito especial, pois possibilita estreitar parcerias com instituições nacionais e internacionais, e fortalecer a rede de pesquisa que o curso de Engenharia de Produção tem construído ao longo da sua existência na universidade”.
Realizado a cada dois anos desde 2002, o ICPR-A consolidou-se como um espaço estratégico para o intercâmbio de conhecimentos e o fortalecimento da cooperação científica na área de produção. A edição de 2026 terá como tema central Industry and Communities Co-Creating the Future (Indústria e Comunidades Cocriando o Futuro), destacando a importância da colaboração entre diferentes setores da sociedade na construção de soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios contemporâneos.
Nicolas Kauã de Oliveira Silva, da turma de Engenharia de Produção de Acará, ofertada por meio do programa Forma Pará, participará do encontro após a aprovação do trabalho Evasão nos cursos de Engenharia de Produção: uma análise sob o modelo de Tinto adaptado. “O trabalho objetiva estudar os motivos que levam os alunos dos cursos de Engenharia de Produção no Pará a desistirem de seus cursos, visando gerar insights para tomadores de decisão evitarem que este fenômeno aconteça”, explica o estudante que está no último semestre do curso de graduação.
Grupo NOMADE apresentará estudos com impacto social e tecnológico
Além desse estudo, a professora Nathália ressalta que também serão apresentados trabalhos desenvolvidos por alunos da graduação e da pós-graduação do curso de Engenharia de Produção.
“O grupo, liderado pela professora Renata Oliveira, apresentará pesquisas com foco em métodos quantitativos, em especial métodos multicritérios e de ecoeficiência energética”.
O NOMADE tem como objetivo promover o avanço do conhecimento científico e tecnológico por meio de pesquisas multidisciplinares e aplicadas, voltadas ao desenvolvimento sustentável, ao bem-estar social e à gestão de organizações. O grupo dedica especial atenção ao universo da ciência de dados, com atuação em áreas como Pesquisa Operacional Multiobjetivo e Análise Multicritério de Apoio à Decisão (MCDM/A).
Já a professora Renata chama a atenção para outra linha de investigação desenvolvida pelo grupo: “a pesquisa que leva os métodos de Apoio Multicritério à Decisão para dentro do SUS. Acho essa frente especialmente bonita porque revela a alma da Engenharia de Produção: as mesmas ferramentas que ajudam uma indústria a decidir melhor podem ajudar o serviço público de saúde a ser mais eficiente e mais justo com quem mais precisa”. Esses estudos são conduzidos pela professora Nathália, vice-líder do NOMADE.
A programação abordará ainda temas de destaque no cenário internacional, como otimização de processos, transformação digital, resiliência das cadeias de suprimentos, manufatura sustentável, gestão da produção e a incorporação de tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial e os conceitos da Indústria 5.0.
“No fundo, é isso que queremos mostrar ao trazer o evento para a Amazônia — uma ciência que tem rigor, mas que também tem coração e compromisso com a vida das pessoas daqui”, conclui Renata.
Texto: Marília Jardim, jornalista (Assessoria de Comunicação - Ascom/Uepa)
Foto: Rodrigo Pinheiro, fotógrafo (Agência Pará)