Ação de extensão promove reflexão sobre esquizofrenia

Enviado por Uepa em Qui, 04/07/2024 - 11:02

Julho é o mês ideal para o cinema, especialmente quando se combina conhecimento científico com a sétima arte, como na ação de extensão A Educação Médica e o Cinema: A Representação da Esquizofrenia e a Percepção sobre o Transtorno, organizada pela aluna Rainara Ferreira Carvalho, do curso de medicina do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade do Estado do Pará (Uepa), sob orientação da médica psiquiatra e professora da Uepa, Luciana Brandão Carreira.

A exibição gratuita acontecerá amanhã, 5 de julho, às 9h, no Cine Líbero Luxardo, na Fundação Cultural do Pará (FCP), iniciando com o filme O Faixa Preta, a Verdadeira História de Fernando Tereré, dirigido por Caco Souza em 2022. Em seguida, será exibido o curta brasileiro de 2023, Intenso, de Emerson Almeida.

A iniciativa, promovida pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Uepa, visa promover a integração entre ensino, pesquisa, universidade e sociedade, explorando como a esquizofrenia é retratada no cinema e percebida pela sociedade. Após as exibições, haverá um debate com a participação da psicóloga e psicanalista Susette Matos. O evento é aberto ao público acima de 16 anos e totalmente gratuito.

Rainara Ferreira Carvalho percebeu a importância do cinema como meio de informação para diversos campos, incluindo a saúde, tanto para o público geral quanto para especialistas. Nesta ação, ela busca analisar como a representação da esquizofrenia no cinema influencia a percepção da sociedade sobre pessoas com o transtorno, impactando diretamente suas vidas. Foram selecionados cinco filmes que retratam a esquizofrenia para essa análise.

A discussão será mediada por profissionais da saúde mental, incluindo psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, arteterapeutas e psicanalistas. A intenção é avaliar como a imagem das pessoas com esquizofrenia é moldada no imaginário popular através do cinema, destacando a necessidade de uma abordagem mais consciente e educativa sobre saúde mental na sociedade.

"Pretende-se avaliar qual imagem predomina sobre a pessoa com esquizofrenia no imaginário popular quando influenciado pelo cinema. E constata-se que uma representação irrealista do indivíduo com esquizofrenia dentro das telas repercute fora das telas. Assim, é necessária atenção da Psiquiatria e da Medicina no geral para a promoção de saúde de pessoas esquizofrênicas por meio da conscientização e educação em saúde da sociedade", avalia.

A ação de extensão também reflete sobre o ciclo de influência mútua entre obras de arte e concepções equivocadas sobre saúde mental, que muitas vezes são perpetuadas por narrativas antiquadas e inconscientes. Segundo Rainara, profissionais de saúde também estão suscetíveis a essas influências, devido à exposição a diferentes formas de informação, ou até desinformação.

 "É fundamental relembrar que o tema do presente estudo é permeado por variáveis culturais e a discussão apresentada acontece na ótica dos elementos culturais hegemônicos no Brasil, com influência estadunidense e europeia. E o cinema se difere de acordo com o país e cultura que provém, sujeito também a variações dentro de um mesmo território, sendo uma arte com poder na legitimação tanto da padronização cultural quanto da sua diversidade", conclui a estudante.

Serviço

Ação de Extensão da Uepa "A Educação Médica e o Cinema: A Representação da Esquizofrenia e a Percepção sobre o Transtorno"

Sexta-feira, 05 de julho, às 9h, Cine Líbero Luxardo, Fundação Cultural do Pará (Av. Gentil Bittencourt, 650, bairro de Nazaré)

Aberto ao público acima de 16 anos

Diane Maués, jornalista (Centro de Ciências Biológicas e da Saúde - CCBS/ Uepa)