A Universidade do Estado do Pará (Uepa) promove hoje, 19, o Seminário Intercultural Descolonizando Fronteiras: Educação e Mobilidades Humanas na Amazônia, reunindo pesquisadores, estudantes, migrantes, refugiados e representantes de diferentes países para discutir os desafios contemporâneos relacionados às migrações, aos deslocamentos forçados e à garantia de direitos humanos na região amazônica. A programação ocorre das 8h30 às 17h, no Bloco IV do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE), em Belém, como parte das ações alusivas ao Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho.
Realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) e pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Uepa, o seminário tem como objetivo promover um espaço de reflexão crítica sobre as relações entre educação, mobilidades humanas e justiça socioambiental na Amazônia, articulando perspectivas decoloniais, interculturais e de direitos humanos na compreensão dos processos migratórios contemporâneos. A iniciativa busca ampliar o debate sobre acolhimento, inclusão e reconhecimento da diversidade em um contexto marcado por fluxos migratórios, mudanças climáticas, conflitos territoriais e deslocamentos de populações tradicionais.
A programação contará com palestrantes e participantes do Brasil, Haiti, Benin, Moçambique, Venezuela, Camarões e Colômbia, promovendo um diálogo internacional sobre experiências de migração, refúgio e resistência. Entre os temas abordados estarão os impactos das mudanças climáticas nos deslocamentos populacionais, a educação decolonial e intercultural, as narrativas de mulheres migrantes e refugiadas, além das práticas de acolhimento e inclusão social desenvolvidas na Amazônia.
Durante a manhã, serão realizadas mesas temáticas voltadas aos desafios do acolhimento, da inclusão e da justiça social, bem como à educação decolonial, à ecologia de saberes e ao combate à xenofobia. À tarde, o seminário dará espaço a rodas de conversa sobre narrativas de mobilidade e reexistência na Amazônia e a uma mesa central dedicada ao protagonismo de mulheres migrantes e refugiadas. A programação inclui ainda apresentações culturais, feira intercultural e uma atividade interativa sobre mudanças climáticas e seus impactos nas migrações humanas.
Inspirado em referenciais de Paulo Freire, Miguel Arroyo e Patrício Guerrero Arias, o evento propõe refletir sobre a educação como prática de acolhimento, resistência e transformação social, fortalecendo o diálogo entre universidade, comunidades migrantes e diferentes saberes culturais presentes na Amazônia contemporânea.
Texto: Fernanda Martins, jornalista (Centro de Ciências Sociais e Educação - CCSE)
Foto: Bruno Cecim/Agência Pará