Contribuições de pesquisas do LabÁgua para desenvolvimento sustentável da Amazônia

Enviado por Guaciara Freitas em Sex, 21/03/2025 - 13:28

“O Dia Mundial da Água (22 de março) deveria ser, para os paraenses, uma data de celebração, pois vivemos em uma das regiões mais privilegiadas do planeta em termos de recursos hídricos. A Amazônia é um verdadeiro tesouro natural, abrigando 80% da água doce do Brasil e desempenhando um papel essencial na regulação do clima global e na manutenção da biodiversidade”. Com esta assertiva, o professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Gundisalvo Piratoba Morales explica sobre uma realidade que é, ao mesmo tempo, abundante e desafiadora.

O pesquisador, que desenvolve estudos no Laboratório de Qualidade de Água da Amazônia (LabÁgua) da Uepa, afirma que o desenvolvimento de pesquisas como as realizadas no LabÁgua são essenciais para a caracterização dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos da região, porque a identificação dos principais parâmetros físico-químicos e microbiológicos dessas águas permite compreender sua qualidade, sua dinâmica, e fornecer subsídios para a gestão sustentável e a preservação dos ecossistemas aquáticos. 

Nesse sentido, para além do avanço no âmbito científico, os conhecimentos obtidos nessas pesquisas possuem uma relação direta com os interesses de sobrevivência de cada ser vivo no “planeta água”. Na avaliação do professor Morales, "ao mapear as características hidrogeológicas dos aquíferos e a vulnerabilidade dessas fontes de abastecimento, contribuímos para a formulação de estratégias de monitoramento e mitigação de impactos ambientais".

Riqueza hídrica e desafios da Amazônia

Quando o restante do Brasil e os demais países olham para a Amazônia, é frequente a alusão à abundância de água doce da região. Alguns desses dados são contextualizados pelo professor Gundisalvo Morales, em relação à realidade nacional e internacional, ao apontar que o Brasil, apesar de ocupar apenas 1,669% da área total do planeta, possui 12% da água doce mundial, o que o coloca como um dos países mais ricos em recursos hídricos. 

Dentro desse contexto, “a Amazônia Legal, que representa 61% do território brasileiro, abriga impressionantes 80% da água doce do país, mas paradoxalmente conta com apenas 14% da população nacional”, afirma o pesquisador, que evidencia “contrastes na distribuição espacial da água e da população, especialmente quando analisamos a Região Norte do Brasil, que ocupa 68% da área do país, mas abriga apenas 8,6% de seus habitantes”. 

Mas, um dos aspectos para os quais os amazônidas chamam atenção é o fato de que a região não pode ser vista como um “reservatório de biodiversidade e riquezas naturais, mas também um território habitado por milhões de pessoas que necessitam de infraestrutura digna e compatível com a importância global da região”, pois a abundância hídrica não significa oferta de água de boa qualidade para as populações, tendo em vista desafios estruturais como as questões relacionadas ao saneamento básico, que segundo dados mapeados por organismos como o Trata Brasil, colocam a região Norte em um cenário preocupante em relação à destinação de resíduos sólidos, saneamento básico e oferta de água potável, inclusive para as populações ribeirinhas, que são cercadas por água, mas, que em 2024 vivenciaram fenômenos extremos de seca, em decorrência das mudanças climáticas. 
 

Assim, o conhecimento decorrente de pesquisas como as realizadas no LabÁgua da Uepa são aliadas na busca por soluções que conciliem preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e justiça social, fortalecendo o papel estratégico da Amazônia para o Brasil e para o mundo.

Texto: Guaciara Freitas, jornalista (Assessoria de Comunicação - Ascom/Uepa)
Produção: Paula Hoyos, publicitária (Assessoria de Comunicação - Ascom/Uepa)
Foto: Sidney Oliveira, fotógrafo (Assessoria de Comunicação - Ascom/Uepa)