Jura 2026: debate sobre 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás e Produtos da Agricultura Familiar

Enviado por Fernanda Martins em Qua, 27/05/2026 - 12:01

Entre debates sobre conflitos agrários, exibição de documentários, apresentações culturais e a memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, o Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa) vai se transformar, nos dias 28 e 29 de maio, em um espaço de encontro entre universidade, movimentos sociais, cultura amazônica e agricultura familiar durante a IX Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (Jura 2026). Aberto ao público, o evento ocorrerá das 8h às 19h30, no Campus I/CCSE, no bairro do Telégrafo, em Belém, reunindo pesquisadores, estudantes, movimentos populares, representantes sindicais, agricultores, artistas e comunidades tradicionais em torno do tema “Basta de violência contra os povos e a natureza: 1996–2026: 30 anos do Massacre de Carajás”.

Uma das atrações mais aguardadas deve ser novamente a Feira da Reforma Agrária Popular, que funcionará durante os dois dias de programação, com venda de alimentos produzidos por agricultores familiares e assentamentos rurais. Aberta à comunidade externa, na feira, estarão à venda frutas, legumes, farinhas, ovos caipiras, plantas ornamentais e medicinais, além de comidas típicas, tapioquinhas e produtos livres de agrotóxicos. A feira também contará com biojoias, artesanato, livros, bonés, camisas e publicações ligadas aos movimentos sociais e coletivos participantes.

A programação é organizada pelos grupos de pesquisa Movimentos Sociais, Educação e Cidadania na Amazônia (GMSECA), Territorialização Camponesa na Amazônia (GPTECA), Estudo e Pesquisa em Pensamento Social e Educacional das Margens Amazônicas (GEPPSEMA), Educação nos Quilombos (Eduq), Educação Musical, Políticas, Decolonialidades e Resistência (Empodera) e INcorpoRe, vinculados à Uepa, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e outras organizações sociais.

As atividades incluem mesas de debate sobre reforma agrária popular, conflitos no campo, resistência indígena, quilombola, ribeirinha e extrativista, além de discussões sobre o papel das mulheres nas lutas sociais e os impactos da violência contra povos e territórios amazônicos. Entre os convidados estão pesquisadores da Uepa, UFPA e outras instituições, integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), representantes de movimentos sociais e lideranças populares.

Além das atividades acadêmicas, a Jura também aposta na arte e na cultura como formas de reflexão e resistência. O público poderá acompanhar apresentações musicais, grupos de carimbó, performances, declamações de poemas e exibição de documentários que abordam as lutas pela terra e os movimentos populares no Brasil, como Terra para RoseChãoO Eterno Abril de Carajás.

A programação é gratuita e aberta à comunidade acadêmica e ao público em geral.


Texto: Fernanda Martins, jornalista (Centro de Ciências Sociais e Educação - CCSE)
Foto: Sidney Oliveira, fotógrafo (arquivo Ascom)